Amizade faz bem à saúde: o que as pesquisas mostram sobre ter um amigo próximo depois dos 50

Uma pesquisa da Universidade de Michigan com mais de 3 mil pessoas mostra o quanto um amigo próximo pesa na saúde física e mental depois dos 50. A Diana lê os números.

Por Diana

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Ilustração de duas amigas de pele clara e casacos pretos caminhando de braços dados, sorrindo.

Tem amiga que lembra da nossa consulta antes da gente. Que pergunta se o exame saiu, que manda mensagem dizendo “vai no médico ver essa tosse, por favor”. A gente costuma chamar isso de carinho. A ciência anda chamando de saúde.

Uma pesquisa da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, olhou para as amizades de adultos com 50 anos ou mais e encontrou números que dizem muito sobre o jeito como envelhecemos. E, de quebra, sobre o jeito como a gente cuida, ou deixa de cuidar, das amigas ao longo da vida.

O que a pesquisa encontrou

O levantamento faz parte da National Poll on Healthy Aging, a pesquisa nacional sobre envelhecimento saudável da universidade. Foram ouvidos 3.486 adultos com 50 anos ou mais, em agosto de 2024, e os resultados foram publicados em dezembro do mesmo ano. Os principais dados:

  • 90% têm pelo menos um amigo próximo.
  • 75% dizem ter amigos próximos suficientes.
  • 79% dos que têm um amigo próximo podem contar com ele para apoio emocional.
  • 70% podem contar com ele para apoio em questões de saúde.
  • 46% têm pelo menos um amigo próximo de outra geração, com 15 anos ou mais de diferença.

A amiga que manda você ir ao médico

A parte mais bonita da pesquisa, para mim, é a que mostra o que as amizades fazem na prática. No último ano:

  • 50% receberam de um amigo incentivo para fazer escolhas mais saudáveis, como comer melhor ou se exercitar.
  • 35% foram incentivados a procurar um profissional por causa de algum sintoma.
  • 32% tiveram ajuda de um amigo quando estavam doentes ou machucados.
  • 15% tiveram um amigo que os acompanhou a uma consulta.

Ou seja: a amizade não é só companhia para o café. Ela vira rede de cuidado, lembrete, carona para o exame, mão segurando a nossa na sala de espera.

Amiga é quem sabe o nome do nosso médico e o nosso jeito de dizer que está tudo bem quando não está.

Quem fica de fora

Os números também mostram o outro lado. Entre quem diz ter saúde mental regular ou ruim, 20% não têm nenhum amigo próximo, o dobro do que se vê entre pessoas com saúde melhor. E 47% dos que têm saúde mental regular ou ruim dizem não ter amigos suficientes.

Fazer e manter amizades também não é simples: 42% dos entrevistados disseram ter dificuldade para fazer novos amigos, e 34%, para manter os que já têm. Entre quem tem saúde mental regular ou ruim, essas dificuldades sobem para 65% e 61%. A pesquisa também aponta que homens têm mais chance do que mulheres de não ter amigos próximos.

Amizade e solidão no dia a dia

Outro estudo da Universidade de Michigan, liderado pela pesquisadora Crystal Ng e divulgado no fim de 2025, acompanhou por cinco dias 223 pessoas que cuidam de familiares com demência, a maioria mulheres. Elas respondiam questionários curtos a cada três horas. O resultado: interações positivas com amigos, mesmo com amigos não tão próximos, estavam ligadas a menos solidão naquele momento. O efeito foi maior justamente para quem estava mais sobrecarregada.

Eu gosto desse dado porque ele desmonta uma ideia comum: a de que só vale a amiga de infância, a melhor amiga, a do peito. Às vezes, a conversa boa com a vizinha no elevador já muda o dia de quem está cansada.

O que isso diz sobre a gente

Esses estudos foram feitos nos Estados Unidos, e a gente precisa ler com essa ressalva. Mas eles conversam com o que já vimos aqui no Brasil, onde 4 em cada 10 adultos dizem sentir solidão. A amizade, que muitas vezes a gente deixa para depois das obrigações, aparece nos números como uma das coisas mais importantes para envelhecer bem.

E amizade, como todo verbo, precisa de prática. Não dá para guardar as amigas numa gaveta e esperar que elas estejam lá intactas aos 60. Elas precisam de mensagem sem motivo, de café marcado, de visita no hospital, de aniversário lembrado.

Se você quer começar hoje, eu tenho um texto sobre como fazer amigos depois dos 30. E tenho um pedido: manda uma mensagem para aquela amiga que você não vê faz tempo. Pode ser só “lembrei de você”. A ciência agradece, e ela também.

Fontes: University of Michigan, National Poll on Healthy Aging, “The Value of Friendships as We Age” (dezembro de 2024); Ng, C. e colegas, “Friendship and momentary loneliness in dementia caregiving”, Journals of Gerontology (2025).


Ilustração em nanquim da Diana, autora do blog

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