O casaco continuava pendurado atrás da porta mesmo quando o frio já tinha ido embora.
Era curioso como a casa demorava mais para entender as mudanças do que o calendário.
Durante meses ela insistiu em preparar duas canecas de café. Não por esperança, mas por hábito. Os hábitos são lentos. Quase teimosos.
Foi guardando pequenos objetos, reorganizando móveis e mudando caminhos dentro de casa que percebeu uma verdade discreta: ninguém permanece igual o tempo inteiro.
As árvores não pedem desculpas por perder as folhas.
Talvez as pessoas também não devessem.
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