Quem rega a planta quando ninguém está olhando?

A planta da varanda nunca foi bonita.

Não tinha folhas exuberantes, flores coloridas nem um vaso de cerâmica daqueles que aparecem em revistas de decoração. Era apenas uma planta comum, esquecida num canto onde o sol chegava por algumas horas da manhã.

Mesmo assim, permanecia viva.

Durante muito tempo pensei que fosse resistente por natureza.

Até descobrir que o vizinho do apartamento ao lado a regava sempre que percebia que a terra começava a secar.

Nunca contou isso para ninguém.

Nunca esperou um agradecimento.

Fazia porque passava por ali todos os dias e aquilo parecia suficiente.

Foi impossível não pensar em quantas relações sobrevivem exatamente assim.

Não pelas grandes declarações.

Nem pelas datas comemorativas.

Mas pelos pequenos gestos que acontecem quando ninguém está olhando.

Lembrar da fruta preferida.

Cobrir alguém com uma manta durante a madrugada.

Guardar o último pedaço do bolo.

Esperar a mensagem de "cheguei".

O cuidado quase nunca faz barulho.

Talvez por isso seja tão fácil confundi-lo com obrigação.

Só sentimos falta dele quando desaparece.

Na semana em que o vizinho viajou, a planta começou a perder o brilho.

Foi então que entendi que algumas presenças só ficam visíveis quando deixam de existir.

Na volta, ele apenas pegou o regador, molhou a terra e continuou o dia como se nada tivesse acontecido.

A planta também.

Sem discursos.

Sem cerimônia.

Apenas voltou a crescer.


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Foto de Diana

Diana

Codinome de guerreira, dilemas de mulher intensa.

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